A resposta é nenhuma das duas!
Considerando que, crítica é a capacidade de avaliar o que é necessário, as variantes construtiva e destrutiva pode não fazer sentido. Como assim, Jailson? Você quer dizer que não existe esses tipos de crítica?
Acredito que você ainda pode testemunhar afirmando que já recebeu e presenciou várias críticas destrutivas e algumas construtivas. Também deve ser acostumado a ouvir relatos como: fulano fez uma crítica destrutiva naquela conversa, naquela reunião, naquela aula.
Calma. Meu objetivo é trazer para você um olhar diferente sobre a perspectiva da crítica.
Ao aplicar meu trabalho na área do desenvolvimento humano em organizações ou mesmo em minhas ações diretas como mentoria e psicoterapia, identifico uma visão equivocada que as pessoas carregam sobre a noção de crítica. E, está visão se divide nessas duas vertentes: construtiva que seria uma crítica com o objetivo de ajudar uma pessoa a melhorar, evoluir e a destrutiva que se apresentaria com o objetivo de menosprezar, denegrir uma pessoa.
É exatamente nesse contexto que desejo alertar que, ao lançarmos uma visão crítica sobre um ser humano devemos, a partir de agora, evidenciar exclusivamente a ação, o resultado praticado, obtido por este ser. Aqui a crítica cumpre sua função de avaliar, identificar o que está de acordo ao esparo ou, apontar para o que precisa evoluir. Ou seja, a crítica, ao ser aplicada tem sempre o objetivo de contribuir.
Mas, e a crítica destrutiva? Devo te informar que ela não existe!
Possivelmente você pode estar indignado com essa afirmação, mas já irei explicar.
Toda vez que alguém tentar usar a crítica de forma pejorativa ela deixa de ser crítica e passa a assumir uma outra concepção: A ofensa.
Aqui alcanço meu objetivo central nesse texto. Apresentar a você que não é lógico dividir crítica em construtiva e destrutiva, mas compreender que podemos distinguir crítica de ofensa.
Trago um exemplo simplório para ilustrar essa visão: se quero lançar um olhar crítico sobre o trabalho de um fotógrafo poderei descrever: Faltou detalhes importantes nessas fotografias. Esse enquadramento não ficou bom. Tem pouca luminosidade nessas fotos. Se as fotos fossem elaboradas em estúdio o resultado seria muito melhor.
Porém, percebendo ou não, posso assumir uma postura de ofensa ao tirar o foco do resultado das fotos e direcionar para o ser humano, o fotógrafo e dizer: ele é muito lerdo. Parece que ele não enxerga que falta luz nesse ambiente. Ele é um estupido que nem possui um estúdio. Ele é um desastre como fotógrafo.
Deste pequeno exemplo podemos extrair um importante aprendizado para nossa vida: quando o foco da minha avaliação, do meu julgamento, das minhas palavras forem as características presentes na personalidade de uma pessoa, estarei fadado a praticar uma ofensa.
Quando eu conseguir direcionar meu olhar para os resultados, para as ações de uma pessoa aí, terei a oportunidade de praticar verdadeiramente a função da crítica e orientar adequadamente este ser humano para que ele tenha a oportunidade em evoluir.
Quando eu, verdadeiramente, pratico a crítica revelo minha capacidade humana de identificar, perceber pontos de melhorias e orientar a quem precisa. Quando ofendo uma pessoa revelo minha fragilidade, fraqueza, traumas, dores emocionais e minha incapacidade de compreender que todo ser humano é passível de erro, mas também de evolução.
Quero te agradecer pela leitura desse texto e espero ter contribuído na construção de um novo olhar sobre a crítica.
Aqui deixo a reflexão final: Você tem praticado a crítica ou a ofensa?
Um fraterno abraço,
Prof. Jailson Pinheiro
Educador, Psicoterapeuta, Neurocientista membro da SBNeC – Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento, baiano, Jailson Pinheiro é Comendador através da Ordem do Mérito Americano (ORDER OF AMERICAN MERIT MEMBER). Criador da Abordagem Neuroemocional, da Terapia Neurossistêmica, da Análise Emocional e da Leitura Emocional em Desenho Infantil e Adulto. Formador e mentor de profissionais de alta performance no Brasil e no exterior.